Série Eletrônica - Parte 6

E após várias postagens sobre eletrônica chegamos ao final da nossa série de postagens, até o momento você já aprendeu os termos corretos, conheceu os componentes eletrônicos, aprendeu a utilizar o multimetro, conheceu o funcionamento dos pequenos motores elétricos CC, e conheceu o sistema AWG que padroniza fios e cabos elétricos sabendo como descobrir qual fio você possui para utilizar em um projeto.
Nessa última parte, vamos conhecer mais um equipamento de uma bancada de eletrônica, qualquer um que deseja mais precisão em suas leituras, ou deseja analisar visualmente os sinais de um equipamento em funcionamento vai adquirir um desses. Hoje vamos falar do osciloscópio.
Segundo Torres (2012), "o osciloscópio é um instrumento de medida que apresenta graficamente em uma tela o valor da tensão que está sendo medido por suas pontas de prova."
Ou seja, quando vamos fazer o uso de um osciloscópio, podemos medir a tensão que sai de uma fonte ou mesmo a presença de interferência na saída desta fonte (chamado de ripple), tudo isso sendo mostrado na forma de um gráfico da tensão x tempo onde podemos ver também a onda (senoidal, triangular, dente de serra, quadrada) dessa tensão analisada.   
Na tela do osciloscópio temos um gráfico onde a tensão é o eixo "y" e o tempo é o eixo "x", o quanto cada quadrado na tela representa depende de sua configuração.
Como o osciloscópio é usado para ler tensões, ele deverá ser conectado em paralelo aos pontos a serem medidos, da mesma forma que conectaríamos um multímetro configurado para ler tensões.
Mas diferente dos nossos multímetros que possuem duas pontas de provas iguais onde muda apenas a cor (vermelha e preta), os osciloscópios possuem uma ponta de prova com dois contatos. 
A ponteira do centro equivale à nossa ponteira vermelha do multímetro (entrada do sinal a ser analisado) e uma garra "jacaré" utilizada para o aterramento, o GND ou negativo que equivale à ponta de prova preta do multímetro. 
Para usar o osciloscópio é simples, após conectado o fio de aterramento e o de entrada de sinal ao equipamento, basta fazer os dois ajustes principais:
1) volts por divisão ("V/div" ou "volts/div"):
Aqui se ajusta o sinal de entrada para caber a onda na tela, aumentando ou diminuindo o valor de cada divisão da tela (os "quadradinhos"). A intensidade do sinal vai determinar quantas divisões da tela sua imagem ocupa. Por exemplo, se um sinal tiver 20 volts de amplitude e o osciloscópio for ajustado para apresentar 10 volts por divisão, o sinal em questão vai ocupar duas divisões em sua amplitude máxima. Se o osciloscópio tiver sido ajustado para uma sensibilidade de 1 volts por divisão e o sinal tiver 100 volts de amplitude, evidentemente a tela não tem 100 divisões e a imagem "cai fora" da tela.
Se não souber qual é a intensidade do sinal, comece por um valor alto e depois vá reduzindo até que a imagem caia confortavelmente dentro da tela de modo que você possa observá-la.
2) Período ("sec/div" ou "time/div"):
Aqui você ajusta para que a forma de onda caiba de forma proporcional na tela, na horizontal.

Caso a imagem esteja na tela, mas fique correndo, você vai precisar ajustar um potenciômetro chamado de "trigger" ou "sincronismo", até que a forma de onda fique completamente parada na tela.

A seguir um exemplo da minha fonte de bancada fornecendo uma tensão de  3,36V (o que realmente sai dela) enquanto no mostrador esta uma tensão de 3,48V. É uma diferença muito pequena, mostrando a qualidade do pequeno voltímetro, mas quando quero mais precisão na tensão eu coloco um multímetro nas saídas e monitoro por ele a tensão. Alias, já falei aqui onde comprei o voltímetro, confira!
Na imagem a seguir temos as leituras obtidas com o circuito ladrão de Joules, vejam a forma de onda que sai da bobina e é descarregada no LED que está sendo alimentado por apenas uma pilha de 1,5V: (clique na imagem para aumentar)
O pico de descarga da bobina é de 5,52V mas a tensão de alimentação é de apenas 1,5V e a frequência é de 238.1KHz de funcionamento.

E o que é bom dura pouco, chegamos ao final da série de conceitos básicos em eletrônica,  você viu muitos termos e equipamentos até aqui, e já é capaz de se encontrar no caminho da eletrônica e da robótica, pesquise bastante assim você será capaz de sair do "Bê-A-Bá" da eletrônica e trilhar novos caminhos se aprofundando cada vez mais.

A ideia é daqui um tempo voltar com mais materiais para essa série de eletrônica, uma "segunda temporada", se você tiver alguma sugestão de qual material ou assuntos a serem abordados deixe nos comentários. ;)

Esse post foi baseado em conhecimento próprio adquirido bem como consultas ao livro do Gabriel Torres citado na primeira postagem dessa série:
- TORRES, Gabriel. Eletrônica para Autodidatas, estudantes e Técnicos. Rio de Janeiro, Editora Novaterra. 2012. 433p.
Por hoje é isso pessoal, um abraço e até a próxima.

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